domingo, 31 de outubro de 2021

respiro em ti

para me sufocar e espreito em tua claridade

para me cegar meu sol vestido em lua

minha noite alvorecida tu bebes - me

e eu converto - me na tua sede os meus

lábios mordem os meus dentes beijam

a minha pele veste - te e ficas mais despida


pudesse ser tu saudade ser a minha própria

espera mas eu deito - me em teu leito quando

apenas queria dormir em ti


sonho - te quando ansiava ser um sonho teu e levito

vou de semente para mim mesmo te plantar menos

que flor simples perfume lembrança de pétalas sem

chão onde tombar


os teus olhos inundando os meus e a minha vida já

sem leito vai galgando leitos atè tudo ser mar esse

mar que sò há depois do mar
 

aproxima

o teu coração e inclina o teu sangue

para que eu recolha os teus inacessíveis

frutos para que prove da tua água e repouse

na tua fonte debruça o teu rosto sobre a terra


sem vestígio prepara o teu ventre para a anunciada

visita atè que nos lábios humedeça a primeira palavra

do teu corpo


o nosso amor è  impuro como impura è a luz e a água

e tudo quanto nasce e vive além do tempo as minhas

pernas são água e as tuas são luz e dão a volta universo


quando se enlaçam atè se tornarem deserto e escuro

e eu sofro de te abraçar depois de te abraçar para não

sofrer e toco - te para deixares de ter corpo e o meu corpo

nasce quando se extingue no teu
 

seja

eu de novo a tua sombra

o teu desejo a tua noite

sem remédio a tua virtude

a tua carência


eu que longe de ti sou fraco

eu que já fui água seiva vegetal

sou agora trémula raiz
 

traz de novo meu amor a transparência

da água da ocupação à minha ternura

vadia mergulha os teus dedos no feitiço

do meu peito e espanta na  gruta funda

de mim os animais que atormentam o 

meu sono

Que bênção a meus olhos

fora feita vendo - te à viva luz

do dia bem se a tua em trevas

imperfeitas a olhos sem visão

 sono vem !


vejo os dias quais noites não

te vendo e as noites dias claros

sonhos tendo


magoa - me a saudade do sobressalto

dos corpos ferindo - se de ternura

dói - me a distante lembrança do teu

vestido caindo aos nossos pès


magoa - me a saudade do tempo

em que te habitava como o sol


ocupa o mar como a luz recolhendo - se

nas pupilas desatentas
 

Dou - te

o meu nome raiz há muito tempo

arrancada  dou - te esta calma guardada

nos homens do meu país


dou - te a fome do meu canto

dou - te os meus braços em cruz

e as mãos feitas num crivo


dou - te os meus pulsos abertos

mas è por outra que vivo


tu cuja sombra clara como em forma

de sombra assombravas ledo o claro

dia em luz mais rara se em sombra a 

olhos visão brilhavas
 

acendo - te

uma fogueira nas tuas mãos acordadas

dou - te flores de laranjeiras

dou - te ruas dou - te estradas dou - te

palavras secretas dou - te coragem e setas

dou - te os meus dedos crispados ponho

cravos amarelos à volta dos teus cabelos

dou - te o meu sangue e o meu canto proibido
 

Verde mar

verde limão são os teus olhos

de medo o vento è este sagrado

que escreve em cada manhã o

 nome dela na erva na erva numa

 folha numa pedra nos bagos de

uma romã
 

teu peito de coragem feito

de pedras e cardo

há um país de viragem

e vinho de cada cor


verdes maduros bastardos

há uma pedra de cal em cada

olhar que respira há uma dor


que já dura desde que dura

a mentira


há um muro levantando

numa seara madura
 

estarão

de novo as nossas mãos

e nenhuma dor será possível

onde nos beijamos eternamente

apaixonados


meu amor eternamente livres

prolongaremos em todos os

dedos os nossos gestos e

 profundamente no peito dos

amantes a nossa alma líquida


e atormentada desvendará em cada

minuto o seu segredo para que este

amor se prolongue e noutras bocas


ardam violentos de paixão os nossos

beijos e os corpos se abracem mais

e se confundam mutuamente violando - se


violentando a noite para que o outro dia afinal

seja possível
 

os meus olhos

vêem melhor se vou fechando

viram coisas de dia e foi em vão

mas quando durmo em sonhos

fitando - te são a escura luz


que luz na escuridão
 

sábado, 30 de outubro de 2021

Fui

pedir um sonho ao jardim dos mortos

quis pedi - lo aos vivos disseram - me 

que não


os mortos não sabem là onde estão

que neles se enfeitam os meus braços

tortos


os mortos dormiam passei - lhes ao 

lado arranquei - lhes tudo quanto pude


páginas intactas um livro fechado em cada

ataúde

ai as pedras raras !

as pedras preciosas !


relâmpagos verdes por debaixo do mar !

a sombra o perfume dos cravos das rosas

que os dedos hirtos teimavam guardar !


a minha alma è um cadáver pálida desfeita

as suas ossadas quem sabe aonde estão ?


trago as mãos cruzadas pesa - me no peito

quem sabe se a lama onde me deito dará

flor aos vivos que dizem que não ?
 

Ò SOLIDÃO !

a noite quando entranho vagueio

sem destino pelas ruas


 o mar todo è de pedras e continuas

todo o vento è poeira e continuas


a lua fria passa  e outra e continuas

na minha branca insónia e continuas


paro como quem foge e continuas

chamo por toda gente e continuas


ninguém me ouve  e continuas

eterna continuas mas sei por fim

que sou do teu tamanho !
 

Hoje

existem vozes diferentes na minha voz 

e eu utilizo - as para fortalecer as minhas

opiniões sem nunca falar em nome dos

outros e não me sinto obrigado a dizer

alguém seja o que for


o importante è dizer alguma coisa seja

a quem  quer que seja e aprendi que

falar não è o contrário de estar calado


e que a lâmpada não tem culpa de ter falhado

a energia e que não è preciso estar acordado

vinte e quatro horas por dia para não perder

nada daquilo que me è devido


sei que a sedução è um jogo para o qual

todos os dias treino e que todos os dias

jogo e que por vezes a verdade è a mais

verdadeira das mentiras possíveis
 

Aprendi

a realidade sobre o que ouvi falar

e que nunca soube se estava a ouvir

falar da realidade e que um momento 

doce de ilusão pode doer mais que a

 realidade mais amarga e agora sei que

não è pior caminhar contra o vento se o

vento não estiver a meu favor e que a grande

árvore de amizade não pode viver sem os seus

 ramos mas para que cresça mais e dê frutos

è preciso ir podando alguns deles
 

trinta anos depois

restam poucas certezas aprendi que não

è o galo que canta para que nasça o dia

mas è o dia que acorda o galo para que

cante !


aprendi que a vida tem milhões de perguntas

e que tinha de procurar nos outros respostas

para mim para achar em mim respostas para

os outros


soube dar um braço a torcer para que não

houvesse força que pudesse torcer - me

outro braço e vi que a vida tem todas

as portas abertas


fechei algumas atravessei por outras

esperando encontrar um mundo diferente

mas as diferenças que achei estavam em

mim


quis alterar o mundo com um livro e escrevi - o

depois alterei - o de acordo com o mudo 


a minha vida teve muitas vidas que procurei

entrelaçar como o cesteiro faz o cesto
 

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

O menino que era eu

foi ensinado pelo tempo

esse velho alfarrabista

 que guarda o segredo

da eterna  juventude


tudo se foi modificando

o nascimento de algumas

coisas significa a morte

de outras


dentro de mim fora de mim

o futuro foi - se construindo

com o passado e entre alegrias


breves aninharam - se inseguranças

e fundas frustrações
 

Povo que lavas no rio

que vais as feiras e à tendas

que talhas o teu machado

às tábuas do meu caixão


pode haver quem te defenda

quem turve o teu ar sadio

quem compre o teu chão sagrado

mas a tua vida não !


meu cravo branco na orelha !

minha camélia vermelha !

meu verde majericão ò natureza vadia !


vejo uma fotografia mas a tua vida não !

fui ter a mesa redonda bebendo a malga 

que esconda o beijo de mão em mão

água pura fruto agreste fora o vinho que me 

deste mas a tua vida não I


procissões  de praia e monte areias píncaros

passos atrás dos quais os meus vão !

que è dos cântaros da fonte ?


guardo o jeito desses braços mas a tua vida

não !


aromas de urze e de lama ! dormi com eles na cama tive

mesma condição bruxas e lobas estrelas ! tive dom de

conhecê - las mas a tua vida não !


subi às frias montanhas pelas verdes montanhas

onde os meus olhos estão rasguei certo corpo

ao meio vi certa curva em teu seio mas a tua vida não !


sò tu !  sò tu ès a verdade ! quando o remorso me invade

e me leva a confissão


Povo ! Povo ! eu te pertenço deste - me alturas de incenso

mas a tua vida não !


Povo que lavas no rio que vais às feiras e à tenda

que talhas o teu machado às tábuas do meu caixão

pode haver quem te defenda quem turve o teu ar sadio


quem compre o teu chão sagrado mas a tua vida não


in Povo que lavas no rio ( Pedro Homem de Mello )

 

Tão cedo tão cedro

tão certo  tão perto

tão raiva  tão medo

tão mar    tão deserto

tão lua      tão leve

tão pobre   tão pouco

tão fúria      tão febre

tão longe      tão louco

tão alto          tão erva

tão raso          tão resto

conversa          conserva

tão lento          tão lesto

tão urze            tão hoje

tão zero             tão tojo

tão fica              tão foge

tão ontem          tão nojo

tão mata              tão morro

tão égua               tão água

tão pinho             tão porra

tão merda             tão magoa


in Joaquim Pessoa ( Barco da Poesia )
 

Vi trigo Vi fome

vi ferros  vi feras

vi ruas     vi nomes

vi grades  vi esperas

vi armas    vi muros

vi lutas       vi mortos

vi surdos     vi mudos

vi fracos       vi fortes

vi marés        vi terras

vi negros       vi servos

vi fardas        vi guerras

vi balas           vi nervos

vi corpos         vi cardos

vi fama            vi glória

vi punhos         vi cravos

vi abril              vi povo

vi rosto             vi espanto

vi nosso            vi novo

vi pouco            vi tanto


 

Canção de estar em terra

de sede meu amor farei um barco

uma vela  no porto e ao vê - la

perto eu direi meu amor que por

ti parto e fico e firo e sigo e ardo


direi a rosa do cravo o trevo o cardo

direi o corpo amor direi um astro


à flor de quem està farto farto de rimar

contra maré em pinho incerto


que mais te direi amor ?


eu que mal maldigo eu que mal amo

as coisas conquistadas que mais direi ?


anèis corais espadas ?


já mal me há - de bastar o que eu

não digo


è aqui de bruços sobre a espuma

que o mar nos causa a dor de estar

 em terra e as palavras não doem


uma a uma e os homens em Lisboa

fazem guerra


in Joaquim Pessoa ( Barco da Poesia )
 

O cão da tristeza

està aqui sem alma

ferrado no meu espanto

puxando as verdes charruas

do meu pranto


lavrando a dor cinzenta

do meu povo


o cão da tristeza està aqui no giz

do meu lume na figueira acesa que

queima a minha casa destrói a minha

mesa e magoa o meu sangue e a minha voz


o cão da tristeza està aqui no açaime do medo

que nos cala na sombra do punhal no fio da bala

apontada ao coração da nossa esperança


           Banco da Poesia

in Joaquim Pessoa
 

Quando

volto para casa o teu nome vai comigo

e ao mesmo tempo espera -me já numa

casa construída com dois nomes como

se tivesse duas frentes uma para montanha

e outra para o mar


por vezes dou - te o meu nome e fico com

o teu espreito então pelas janelas de onde 

se vêem coisas que antes nunca tinha visto


coisas que adivinhava mas nunca quis olhar

nessas alturas o meu nome è o teu olhar

e os meus olhos são a pronúncia do teu

nome que se diz com pequeno brilho molhado


um som pequeno como um regaçar de asas

dessas aves que constroem o ninho na folhagem

da fala criam raìzes fundas nas palavras vulgares

que os amantes vulgares engrandecem quando

falam de amor
 

Palavras de amantes

sem amor gente que sofre e a quem

falta o ar quando faltam as palavras


há  pequenas aves que tem raìzes nas

palavras essas palavras nunca ficam

arrumadas com decência na literatura


quando digo o teu nome há uma ave

que levanta voo como se tivesse nascido

o dia e uma brisa encarcerada nas amêndoas

se soltasse para  para o frio para o mais alto

 para o mais azul
 

um amor

que não morre è o encontro

com a tua voz com o teu

corpo è um amor que se

lança no futuro com uma

única certeza daquilo que

foi


è e será o amor de uma vida

inteira
 

Queria

o que morre em mim

o calor dos teus braços

a esquiva dos seus olhares

a tempestade que inunda

as minhas planícies
 

Veste - me

a seda das tuas mãos serenas

veste - me a roupa quente da

tua pele e aperta - me com o

cinto dos teus braços no lugar

onde o meio traz cansaço
 

recorda - me

em pequenos pedaços ata - me em laços

e guarda - me no coração antes de saíres

para o mundo e bater no fundo da traição

que te apetece
 

Amor

humores rumores há sempre ai haverá

algo sempre no ar a sangrar a imaginar

os nossos corpos a silenciar os nossos 

passos as nossas possibilidades ontem

hoje e sempre
 

Amor de ontem

um amor que não morre è um amor

que alimenta de lembranças

um amor que não morre è um amor

que se regozija no presente não esquece

o passado e suspira pelo futuro
 

atè ser feliz

amachuco o azul com toda força

e beijo a minha própria boca

com as tuas palavras frutos

de uma paixão que nunca

me separou do fogo
 

ainda ontem

tinha vinte anos e era dono do tempo

a minha mãe julgava - me o seu menino

e eu jà era um homem seguro de mim


carregado de certezas como acontece sempre

que se tem vinte anos


naquela altura tudo  era exacto

tudo podia ser medido e comprado


nada tinha força para se confrontar

com a sabedoria de um jovem
 

Sei

que o pássaro o céu e a árvore

têm as mesma raiz

que o tempo que amadurece os frutos

tambèm amadurece os homens e por


isso aquilo que eu perdi continua

a ser meu enquanto o procurar


vou - me embora de mim
 

Tenho

percebido que o silêncio è de ouro

num mercado de palavras baratas

e que olhos ricos em lágrimas

são pobres em sono


que è mais difícil reconhecer a qualidade

do que defini - la e que para ser elogiado

basta que dê um pouco de mim ou atè menos

do que um pouco 
 

Sei

que a justiça despensa - me a coragem

sei que posso tornar - me sábio pela

sabedoria dos outros mas senão possuir

os meus próprios méritos de nada vale

exibir os méritos do meu pai e tambèm 

sei que com e excepção dos progressistas

todos falam - me de progresso e que quando

o céu està nublado a primeira impressão è de

que as estrelas não existem
 

Aprendi

tambèm se precisar de um cretino

devo tratar por Dr. cretino

e quando se perde uma pessoa que

 se ama 


custa tanto lembra - la

como esquece - la
 

Ah !

sei que è bom acordar duas vezes no mesmo dia

e que a lógica das  cores não è a lógica das imagens

e nem as cores nem as imagens sabem que existem

qualquer lògica
 

Sei

que muito do que è humano ajudou

a construir o homem e que em relação

ao tempo a única vitória è tambèm a

única derrota  ... gasta - lo
 

Que achas de mim ?

è uma pergunta que devo fazer a mim 

do que aos outros

e saber quantos milhões de estrelas

tem uma galáxia è menos importante

que encontrar as poucas palavras para

terminar uma conversa

 

Há pequenas aves

que tem raìzes nas palavras

essas palavras que não ficam

arrumadas com decência na

literatura

palavras de amantes sem amor


gente que sofre e a quem falta o ar

quando faltam as palavras


quando digo o teu nome há uma ave

que levanta voo
 

Falamos

de amor e sobre a minha alma 

arqueava - se o azul do teu olhar

transparente como o céu alvorecente

das nossas manhãs do sul
 

Eis

o ninho abandonado dos sonhos

do nosso amor è o mesmo chão

onde oscila a mesma sombra tranquila

dos alvoredos em flor
 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Do vaso

que partiram por entre frinchas escapam

respiram assim o amor sem ventura

raiz na terra escondida abafa anseia

procura saìda
 

Deixa - me dizer -te

os meus versos mais doloridos

murmurar - te  bem baixinho

nos teus ouvidos uma queixa

eu amo - te tanto perdoa - me !
 

Por mais que a recalco

e esmago - a ela foge a magoa

já è bastante e me atormenta

de amar e não ser amado e

calar è um sofrimento redobrado
 

Os amores infelizes

tristes roseiras sem rosas

são como naquelas raìzes

teimosas


que um vaso estrito encarcera

e que um sonho constante


aspiram a primavera distante

crescem a terra assolapam


e do vaso que partiram por entre

as trinchas escapam respiram assim

o amor sem ventura raiz na terra

escondida abafa anseia procura

saída ...
 

Eu

que nada espero e nada reclamo

è que demais me atormento de

amar e não ser amado e calar

è um sofrimento redobrado


sei que de balde estendo - te

a mão de mendigo


ouves sorrindo bem sei


em voz magoada assim digo

que te amo e calar è um

sofrimento magoado !
 

Acredito

que existe uma sò sede e muitas

maneiras de a extinguir e que

se por erro cair num precipício

poucas possibilidades tenho de me

 arrepender
 

Hoje

não considero generosidade oferecer

o que me pedem porque generoso

è aquele que dà antes de lhe pedirem
 

Vou - me embora de mim

aprendi que não adianta ser rápido

antes do tempo nem depois da 

oportunidade e que o vento que derruba

 às grandes árvores não consegue mais do

 que inclinar os pequenos arbustos
 

Peço - te

não pises  as violetas que trago no olhar

falemos dos brilho estilhaçado desta casa

súbita que o teu corpo devoluto a noite

devora as palavras possíveis o sofrimento

pulsa em tua boca torna a minha boca vulnerável


o amor è um nada que a liberta uma luz que desce

dos ombros para o ventre e fecunda as sementes

da tua virgindade essa faz parte de uma dor quase

amigável na lividez do tempo e que entregas em 


minhas mãos beijando - as tornando - te parte de meus

versos da minha forma mais profunda  de gostar de ti


amar - te  è deixar que me toques atè ser teu e que deites

 no meu corpo e adormeças inteira dentro de mim


peço - te não pises as violetas que trago no olhar cheira a ti

são para ti um bouquet de palavras que floriram no tempo

de amor
 

desde que te conheço

que esta minha realidade ruiu não que ela me fizesse feliz pelo contrário era tão frágil mas mantinha - me sustentava - me !  hoje sinto rep...