sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Povo que lavas no rio

que vais as feiras e à tendas

que talhas o teu machado

às tábuas do meu caixão


pode haver quem te defenda

quem turve o teu ar sadio

quem compre o teu chão sagrado

mas a tua vida não !


meu cravo branco na orelha !

minha camélia vermelha !

meu verde majericão ò natureza vadia !


vejo uma fotografia mas a tua vida não !

fui ter a mesa redonda bebendo a malga 

que esconda o beijo de mão em mão

água pura fruto agreste fora o vinho que me 

deste mas a tua vida não I


procissões  de praia e monte areias píncaros

passos atrás dos quais os meus vão !

que è dos cântaros da fonte ?


guardo o jeito desses braços mas a tua vida

não !


aromas de urze e de lama ! dormi com eles na cama tive

mesma condição bruxas e lobas estrelas ! tive dom de

conhecê - las mas a tua vida não !


subi às frias montanhas pelas verdes montanhas

onde os meus olhos estão rasguei certo corpo

ao meio vi certa curva em teu seio mas a tua vida não !


sò tu !  sò tu ès a verdade ! quando o remorso me invade

e me leva a confissão


Povo ! Povo ! eu te pertenço deste - me alturas de incenso

mas a tua vida não !


Povo que lavas no rio que vais às feiras e à tenda

que talhas o teu machado às tábuas do meu caixão

pode haver quem te defenda quem turve o teu ar sadio


quem compre o teu chão sagrado mas a tua vida não


in Povo que lavas no rio ( Pedro Homem de Mello )

 

Sem comentários:

Enviar um comentário

desde que te conheço

que esta minha realidade ruiu não que ela me fizesse feliz pelo contrário era tão frágil mas mantinha - me sustentava - me !  hoje sinto rep...