que talhas o teu machado
às tábuas do meu caixão
pode haver quem te defenda
quem turve o teu ar sadio
quem compre o teu chão sagrado
mas a tua vida não !
meu cravo branco na orelha !
minha camélia vermelha !
meu verde majericão ò natureza vadia !
vejo uma fotografia mas a tua vida não !
fui ter a mesa redonda bebendo a malga
que esconda o beijo de mão em mão
água pura fruto agreste fora o vinho que me
deste mas a tua vida não I
procissões de praia e monte areias píncaros
passos atrás dos quais os meus vão !
que è dos cântaros da fonte ?
guardo o jeito desses braços mas a tua vida
não !
aromas de urze e de lama ! dormi com eles na cama tive
mesma condição bruxas e lobas estrelas ! tive dom de
conhecê - las mas a tua vida não !
subi às frias montanhas pelas verdes montanhas
onde os meus olhos estão rasguei certo corpo
ao meio vi certa curva em teu seio mas a tua vida não !
sò tu ! sò tu ès a verdade ! quando o remorso me invade
e me leva a confissão
Povo ! Povo ! eu te pertenço deste - me alturas de incenso
mas a tua vida não !
Povo que lavas no rio que vais às feiras e à tenda
que talhas o teu machado às tábuas do meu caixão
pode haver quem te defenda quem turve o teu ar sadio
quem compre o teu chão sagrado mas a tua vida não
in Povo que lavas no rio ( Pedro Homem de Mello )
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