sábado, 30 de outubro de 2021

Fui

pedir um sonho ao jardim dos mortos

quis pedi - lo aos vivos disseram - me 

que não


os mortos não sabem là onde estão

que neles se enfeitam os meus braços

tortos


os mortos dormiam passei - lhes ao 

lado arranquei - lhes tudo quanto pude


páginas intactas um livro fechado em cada

ataúde

ai as pedras raras !

as pedras preciosas !


relâmpagos verdes por debaixo do mar !

a sombra o perfume dos cravos das rosas

que os dedos hirtos teimavam guardar !


a minha alma è um cadáver pálida desfeita

as suas ossadas quem sabe aonde estão ?


trago as mãos cruzadas pesa - me no peito

quem sabe se a lama onde me deito dará

flor aos vivos que dizem que não ?
 

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