sábado, 20 de agosto de 2022

desde que te conheço

que esta minha realidade

ruiu não que ela me fizesse

feliz pelo contrário era tão

frágil mas mantinha - me

sustentava - me ! 

hoje sinto repulsa se alguém

me toca

nenhum corpo me convida

nenhuma boca me desperta

nenhuma pele me aquece
 

nunca fui

de pernoitar numa cama vazia

à espera de um beijo que me

 despertasse na manhã seguinte

na verdade nunca fui de pernoitar

onde os lençóis não fossem reconhecer

um cheiro que me envolvesse

mas existem chamas que aproximam

peles que convidam

o corpo mendiga a liberdade

e a saturação da ausência aproxima


não acontece o Apocalipse

mas conjuga - se a imaginação que vigente


decora o céu e consegue colorir os espaços vazios ! 


 

atrevo a dizer - te

que a inocência da minha juventude

voltou e là não há antídotos ainda bem

sou teu o meu corpo è somente teu

sou intermitência não se trata de uma

 vontade que de olhar se faz viva

não se trata de uma moldura que se

encaixa muito menos de uma pele

com fome o limite não è um orgasmo

ou vários orgasmos
 

habitamo - lo sementes

sonoras a sobrevoar - nos

o mais radioso è não haver

sementes no chão a germinarem

no chão sò apenas os nossos pés

quando a musica nos faz dançar
 

hoje

sei que o plano nunca existiu

mas que as estrela essas estavam 

là para nos guiarem e construímos

um planeta perto do sol
 

eu nunca teria erguido

eu nunca teria erguido

o meu coração sozinho

pleno a construir labirintos

para nunca mais ninguém

os encontrar a magia aconteceu


e foi mais interior que as células que as

 mecânicas

que renovam o nosso corpo a cada dia lutar contra


o que jà estava no destino conseguir prever

o que nem o amèn dos Deuses ousou conceber !
 

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

se eu soubesse

se eu soubesse

que um coração azul

era o infinito que toda

 a transparência do mar

residia em ti eu não teria

olhado para o teu sorriso

como quem contempla o céu

estrelado depois de dias de tempestade


 

houve sentenças

que nunca fiz questão

a resolver e houve

 o amor que eu sempre

fiz questão de o sentir
 

novamente

o vento começou a soprar

uma doce brisa de verão

quente e húmida era a tua

respiração a envolver - me
 

os bancos acolhiam

 

tornaram as nuvens leves

macias e flutuantes

eram as tuas mãos que me 

tocavam levemente !

as estrelas uniram - se no céu

para contemplar

a lua transformou - se

apenas nossas numa dimensão

nunca antes vista numa luz tão

brilhante o sol sentiu inveja e quis

aparecer eram os teus lábios quentes

que me beijavam como se fosse a


primeira vez !
 

o verbo aguça

a intimidade aproxima

intensifica o silêncio do olhar

armazena e multiplica o sulco

do beijo intensifica a face da lua
 

na palma da mão

a saliva que a tua boca

verteu o som do mar

no meu ouvido mas o teu

ópio e o meu gemido na verga

do teu corpo a clemência do meu

pecado !
 

tu sorris

ès o verão

que nunca acaba
 

os gracioso sorriem

são o sol que nunca

se esconde
 

o mel

sò ficou doce

porque a colmeia

procriou no teu jardim !
 

se junto as nuvens

encontro o sol

surge o algodão gosto

do branco dà - me paz

mas prefiro o vermelho

dos teus lábios
 

gosto do que è suave

a tua pele è suave

as pétalas são suaves


 

no teu primeiro sorriso

consegui perceber

que na espécie humana

alguém vingou alguém

consegui sobreviver

a crueldade do mundo

e conseguiu sair do capitulo

com as suas próprias mãos

as tais mãos que eu sabia que eram

capazes de me trazer o cèu
 

caminhei

nas tuas pegadas

encontrei muralhas

forcei passagens fiquei

sem telhado o luz intensa

ofusca - me qualquer raio

me queimava
 

Quando te avistei

o meu primeiro impulso

foi dizer - te " amo - te "

mas tive medo de ao fazê - lo

tu viesses num balão de ar

e rebentasse antes de poder

elevar - se bem alto ao ponto

de tocar o céu !
 

acolei - me

 

neste pensar e fiz dele

o meu manicómio e foi

neste lugar debruçado

a janela neste lugar

que me habita que insatisfação

sò na loucura consegui suportar

esta ideia esta insatisfação debruçado

a janela neste lugar que me habita

quero o amo - te

num olhar

um amo - te no calor

dos corpos não existe

espaço suficiente no planeta

com tamanha orbita


penso eu !
 

quero ficar no silencio

quero um amo - te

numa respiração
 

quero

capítulos sem margens

barcos sem âncoras
 

numa onda

ter a boca salgada

e descobrir que o mais

intenso permanece em ti

mesmo sem te esforçares

para isso
 

era um amo - te

numa pagina ainda que não fosse

em branco era como se existisse

um mar e eu não pudesse entrar

nele não pudesse entrar nas suas

profundezas e descobrir e perceber


a transparência da sua beleza interior

não pudesse sentir - me livre ao voltar


a superfície !


 

era como se fosse

um amo - te escrito no primeiro

paragrafo do livro que já li dezenas

de vezes e do qual sabia o final !
 

o exagero

conseguia satisfazer - me

mas nem sempre o céu

se me dessem o céu eu

elevava - me estendia os braços

nunca ninguém teve mãos suficientes

para o trazer


 

todas as vezes

que me dizeram

amo - te

eu nunca senti sò ouvia

as vezes achava que o problema

era eu ser insatisfeito por natureza

o muito sempre foi pouco para mim
 

a cor

do batôn que tens

e isso è o mais belo

que consigo dizer !
 

hoje

o mais doloroso

è não saber a cor do batôn

dos teus lábios
 

As vezes me pergunto

como podes ser

tão bela !
 

às vezes

pergunto - me como

podem as palavras serem

tão insignificantes para te

descrever !
 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

sei

que posso cair

mas tu me ensinaste

a voar
 

eu mesmo sem coragem

sem coragem dei todos os passos

por vezes lentos e fatigados

atè ao único precipício que de

tão raro ninguém nunca alcançou
 

ensinaste - me

a sensação da vertigem

è enriquecedora e que podemos

retirar daquelas paisagens

se tivermos a coragem de dar

mais um passo !
 

se algum dia

tiveres que me soltar

que o meu coração pare

de bater que o sangue pare

de correr nas minhas veias

que os meus ossos sejam ruídos

e que o meu pò se transforme

numa semente para que a terra

brote uma linda árvore com o cheiro

que carrego da tua pele nas minhas

entranhas
 

ficas ali

com a melodia dos pássaros

a embalar - me enquanto o teu

rosto ilumina o céu

tenho a força do mar

encontro - a nos teus braços

quando me abraças
 

desengane - se

quem pensar o contrário

è sò um comando que è desligado

quando encontramos alguém

que nos ensina o significado

da palavra amor e eu encontrei - te

foste tu que me ensinaste quão raro

sendo eu apenas um ponto do mundo

sentir - me gigante ao ponto de conseguir

tocar as estrelas com as pontas dos dedos
 

nunca me senti

tão jovem como agora

e nunca me senti tão leve

aquilo ao que o tempo chama

de idade
 

cortinas corridas

não quero que ninguém

veja as cores que o teu

corpo emana a cada palavra

que te dirijo !
 

Fernando Pessoa dizia

todas as cartas de amor

são ridículas e irei ser

para ti será a minha primeira

carta de amor para ti !
 

portas e janelas fechadas

estas palavras são tuas

não quero que o vento

as leve e as sussurre alguém  !
 

prende - me ao teu respirar

sou a lava de um vulcão

que explode sò de te olhar ?
 

prende - me no teu ventre

sou a dura escultura

presa no teu corpo

para sempre
 

ès a flor que brota

num jardim por semear

a sinfonia que embala o vento

o branco da bruma !
 

ès o cuco

que anuncia a chegada

da vitória ès o som

que embala e faz dançar
 

ès o canto da cotovia

a luz em noite escura

ès o arco - íris

o sorriso que aproxima !
 

nunca me faltes

ès a alta montanha do amor

onde de là se vislumbra
 

desde que te conheço

que esta minha realidade ruiu não que ela me fizesse feliz pelo contrário era tão frágil mas mantinha - me sustentava - me !  hoje sinto rep...