terça-feira, 2 de novembro de 2021

Là fora

 existe o mundo a esplêndida violência

ou os bagos de uva de onde nascem as

raìzes minúsculas do sol os corpos

genuínos e inalteráveis do nosso amor


os rios as grande paz exterior das coisas

as folhas dormindo o silêncio as sementes

à beira do vento a hora teatral da posse e o


poema cresce tomando tudo em seu regaço

e já nenhum poder  destrói o poema insustentável

 único invade  as órbitas a face amorfa das paredes 

a miséria dos minutos a força sustida das coisas


a redonda e livre harmonia do mundo em baixo

o instrumento perplexo ignora  a espinha do mistério

e o poema faz - se contra o tempo e a carne



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