quando a noite se destaca da cortina quando
a carne tem o travo da saliva e a saliva sabe
a carne dissolvida quando a força de vontade
ressuscita
quando o pè sobre o sapato se equilibra e quando
as sete da tarde morre o dia que dentro de nossas
almas se ilumina com luz lívida a palavra despida
Diz o meu nome pronuncia - o como se as sílabas
te queimassem os lábios sopra - os com a suavidade
de uma confidência para que o escuro apeteça para que
desatem os teus cabelos para que aconteça porque eu
cresço para ti sou eu dentro de ti que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar sem tempo nem contorno porque
apenas para os teus olhos sou gesto e cor e dentro de ti me
recolho ferido exausto dos combates que a mim próprio me
venci porque a minha mão infatigável procura o interior e o
avesso da aparência porque o tempo em que vivo morre de ser
ontem e è urgente inventar outra maneira de navegar outro rumo
outro pulsar para dar esperança aos portos que aguardam pensativos
no húmido centro da noite
diz o meu nome como se te fosse estranho como se te fosse um intruso
para que eu mesmo me desconheça e me sobressalte quando suavemente
pronunciares o meu nome
Sem comentários:
Enviar um comentário