segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Crepùsculo

è quando um espelho no  quarto se enfastia

quando a noite se destaca da cortina quando

a carne tem o travo da saliva e a saliva sabe

a carne dissolvida quando a força de vontade

ressuscita


quando o pè sobre o sapato se equilibra e quando

as sete da tarde morre o dia que dentro de nossas

 almas se ilumina com luz lívida a palavra despida


Diz o meu nome pronuncia - o como se as sílabas

te queimassem os lábios sopra - os com a suavidade

de uma confidência para que o escuro apeteça para que

desatem os teus cabelos para que aconteça porque eu


cresço para ti sou eu dentro de ti que bebe a última gota

e te conduzo a um lugar sem tempo nem contorno porque

apenas para os teus olhos sou gesto e cor e dentro de ti me

recolho ferido exausto dos combates que a mim próprio me

venci porque a minha mão infatigável procura o interior e o


avesso da aparência porque o tempo em que vivo morre de ser

ontem  e è urgente inventar outra maneira de navegar outro rumo

outro pulsar para dar esperança aos portos que aguardam pensativos

no húmido centro da noite


diz o meu nome como se te fosse estranho como se te fosse um intruso

para que eu mesmo me desconheça e me sobressalte quando suavemente

pronunciares o meu nome

 

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