quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Aos deuses peço

sò que me concebam o nada lhes pedir

a dita è um jugo e o ser feliz oprime


porque um certo estado não quieto nem

inquieto  meu ser calmo quero erguer


alto acima de onde os homens têm prazer ou dor
 

As rosas amo dos jardins de Adónis

essas volucres amo , Lídia , rosas , que o dia

que nascem nesse dia morrem a luz para elas


è eterna , porque nascem nascidas já o sol , e

acabam antes que Apolo deixe o seu curso visível


assim façamos nossa vida um dia , incidente , Lídia ,

voluntariamente que a noite antes e após o pouco que

duramos
 

Temo , Lídia , o Destino

Nada è certo !

em qualquer hora

pode suceder - nos


o que tudo mude fora

do conhecido è estranho

o passo que nòs próprios

damos


graves numes guardam as lindas

do que è uso não somos deuses ;


cegos , receemos , e a parca dada

vida anteponhamos à novidade ,

abismo
 

Se

queres ser feliz abdica - te da tua inteligência

os tolos são felizes


se fosse casado eliminava os tolos da minha casa

cada cidadão que me fosse apresentado não poderia


sê - lo sem exibir o diploma de sócio da academia real

das ciências  olha criança decora estas duas verdades


que o Balzac não menciona na « Fisiologia do casamento »

um erudito ao pè da tua mulher fala - lhe da Civilização Grega


na Decadência do Império Romano em Economia Politica em

Direitos Publico e atè Química Aplicada do Extracto do Espírito

de rosas confessa tudo


o maior mal que pode fazer a tua mulher è adormecê - la

o tolo não è assim como ignora e desenha a ciência dispara


a queima roupa na tua pobre mulher quantos galanteios importou

de Paris que são originais em Portugal porque são ditos num idioma


que não è francês nem português a tua mulher se tem a infelicidade

de não ter em ti um marido doce e meigo começa a comparar - te 


com o tolo que a lisonjeia e acha que o tolo tem muito juízo

concebido juízo ao tolo concede - lhe tudo


ora ai tens porque antes queria ao pè da minha mulher o José Augusto

em cuecas do que o barão de Sá coberto com a capa daquele grande piegas


José do Egipto


ri - te

se queres ser feliz abdica da inteligência convence - te e convence os outros

que ès um pária de senso comum entra nesses camarotes e diz a letra do « Barbeiro


de Sevilha » è de Voltaire e a composição do maestro Spinosa vira - te vitima

predestinada e diz - lhe que a musica è da voz dos anjos confidentes de paixão


delirantes que dos olhos dela deviam partir inspirações que arrebatam Raphael

de Urbino que faràs de autor da « Norma »


se ouvires uma gargalhada insofrida deixe - os rir

 continua faz - te vitima interessante acolhe - te

à piedade da dama e fala - me depois ...
 

Por vezes

dou - te o meu nome e fico com o teu

espreito então pelas janelas de onde

se vêem  coisas que eu antes nunca


tinha visto coisas que adivinhava mas

nunca quis olhar nessas alturas o meu


nome è o teu olhar e os meus olhos são

a pronuncia do teu nome que se diz com


pequeno brilho molhado um som pequeno

como regaçar de asas dessas aves que constroem


ninho na folhagem e criam raìzes fundas nas palavras

vulgares que os amantes vulgares engrandecem quando


falam de amor ... 
 

Aqui se espera

- sossego , sò sossego -

isso que outrora era ,

aqui onde dormindo ,


- sossego , sò sossego -


se sente a noite vindo e nada importaria

     - sossego , sò sossego -


que fosse antes o dia , aqui , aqui estarei

    - sossego , sò sossego -


como exìlio de um rei gozando da ventura

        - sossego , sò sossego -

da dor e da esperança que ter a negação

         - sossego , sò sossego -

de todo o coração
 

instantes antes do beijo

não quero o primeiro beijo

basta - me

o instante antes do beijo


quero - me

corpo ante o abismo

terra no rasgão do cismo


o lábio  ardendo entre tremor

e tremor o escurecer da luz


no desaguar dos corpos


o amor não tem depois

quero o vulcão que na terra


não toca o beijo antes de ser boca
 

desde que te conheço

que esta minha realidade ruiu não que ela me fizesse feliz pelo contrário era tão frágil mas mantinha - me sustentava - me !  hoje sinto rep...