segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Tu ensinaste - me

a fazer uma casa

com as mãos e os beijos

e eu morei em ti e em ti

meus versos procuram voz

e abrigo

em ti guardei meu fogo

meu desejo

construí a minha casa

porém já não sei das tuas mãos

os teus lábios perderam - se entre palavras


duras e precisas que tornaram a tua boca fria

e a minha boca triste como um cemitério de beijos


Mas recordo a sede unindo as nossas bocas

mordendo os frutos das manhãs proibidas


quando as nossas mãos surgiam por detrás de tudo

para saudar o vento e vejo teu corpo perfumando a erva


e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros quando

quando a noite se move nesta casa de versos onde guardo


o teu nome
 

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