segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Alexandra

Há pequenas aves que têm raìzes

nas palavras essas palavras

que não ficam arrumadas

com decência na literatura

palavras de amantes sem amor

gente que sofre e quem falta o ar

quando faltam as palavras

Quando digo o teu nome

há uma ave que canta levanta voo

como se tivesse nascido o dia e uma brisa


encancerada nas amêndoas se soltasse

para impelir para o mais frio

para o mais alto

para o mais azul


Quando volto para casa

o teu nome vai comigo


e ao mesmo tempo espera - me

já numa casa construída


com dois nomes 

como se tivesse duas frentes


uma para montanha e outra para o mar

por vezes dou - te o meu nome e fico com o teu


espreito então pela janela de onde se vêem coisas

que nunca antes tinha visto


coisas que que adivinhava mas que não sabia

coisas que sempre soube mas nunca quis olhar


nessas alturas o meu nome è o teu olhar o os meus

são justamente a pronúncia do teu nome que se diz

com um brilho molhado 


um som pequeno como um roçar de asas dessas aves

que constroem o ninho na folhagem da fala e criam


raìzes fundas nas palavras vulgares que os amantes

vulgares engrandecem quando falam de amor
 

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