segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Um poema cresce inseguramente

na confusão da carne sobe ainda

sem palavras sò ferocidade e

gosto talvez como sangue ou sombra

 de sangue pelos canais do ser 


fora  existe o mundo

fora a esplêndida

violência


ou os bagos de uva onde nascem

as raìzes minúsculas do sol


fora os corpos genuínos inalteráveis

do nosso amor


os rios a grande paz exterior das coisas

as folhas dormindo o silêncio as sementes

à beira do vento a hora teatral da posse e

o poema cresce tomando tudo em seu regaço


e já nenhum poder destrói o poema  insustentável

único invade as órbitas a face amorfa das paredes

a miséria dos minutos a força sustida das coisas


a redonda e livre harmonia do mundo em baixo

o instrumento perplexo ignora a espinha do mistério


faz - se contra o tempo e a carne 

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