sem palavras sò ferocidade e
gosto talvez como sangue ou sombra
de sangue pelos canais do ser
fora existe o mundo
fora a esplêndida
violência
ou os bagos de uva onde nascem
as raìzes minúsculas do sol
fora os corpos genuínos inalteráveis
do nosso amor
os rios a grande paz exterior das coisas
as folhas dormindo o silêncio as sementes
à beira do vento a hora teatral da posse e
o poema cresce tomando tudo em seu regaço
e já nenhum poder destrói o poema insustentável
único invade as órbitas a face amorfa das paredes
a miséria dos minutos a força sustida das coisas
a redonda e livre harmonia do mundo em baixo
o instrumento perplexo ignora a espinha do mistério
faz - se contra o tempo e a carne
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