segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Para ti dei voz

às minhas mãos abri os gomos do tempo

assaltei o mundo e pensei que tudo estava

em nòs nesse doce engano de tudo sermos


donos sem nada termos simplesmente porque

era de noite e não dormíamos


eu descia em teu peito para me procurar e antes

que a escuridão nos cingisse a cintura ficávamos

 nos olhos vivendo de um sò amando de uma vida


o meu corpo não se reconhece na espera percorrer

com um sò gesto o teu corpo e beber toda ternura


para refazer o rosto em que desapareces o abraço

que desobedeces


um espanto a tua boca entreaberta aveludada doce

sal-picante a minha lìngua sorve - a à descoberta


entreabres as pernas onde perco os meus dedos

a tremer desço a boca atè morder a luz molhada

por entre os teus gemidos de prazer e beijo a alma


no teu corpo que se excita a cada segundo a cada

movimento a  cada sorvo
 

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