dòi - me a distante lembrança do teu vestido
caindo aos nossos pès
magoa - me a saudade do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar como a luz recolhendo - se
nas pupilas desatentas
seja eu de novo tua sombra teu desejo tua noite sem
remédio tua virtude tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que fui água seiva vegetal
sou agora gota trémula raiz
exposta
traz
de novo amor a transparência
da água
dà ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos no feitiço do
meu peito e espanta na gruta funda
de mim os animais que atormentam o
meu sono
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