com palavras eu cantaria mesmo que tu não existisses porque
haveria de doer - me a tua ausência por isso canto alegre ou triste ,
canto como se cantando tocasse a tua boca , ainda antes da tua presença
derei mesmo , depois da tua morte eu cantaria mesmo que tu não existisses ,
ò minha amiga , doce companheira eu festejo o teu corpo como um rio ,
onde exausto , chegarei ao mar
sim , eu cantaria mesmo que tu não existisses , porque nada eu diria sem
o teu nome , porque nada existe além da tua vida , da tua pele macia dos teus
olhos magoados nos teus gestos há animais em liberdade e o brilho doce que
sò tem as cerejas è nele que adormeço , e dos teus dedos retiro a luz dos
arquipélagos os teus gestos são letras , abalas , poemas seus gestos são páginas
inteiras são a tua boca a namorar a minha boca , o cio dos séculos a saciar o tempo
são os teus gestos que me acordam que vestem o silêncio fundo das ravinas e assinalam
a égua dos desertos os teus gestos são musica são lume são respiração do teu olhar a seara
de espigas que ondula no meu corpo assim quero cantar - te , meu amor , para além das morte , para além do tempo
In Joaquim Pessoa
In Joaquim Pessoa
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