quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Retratos do povo de Lisboa

è da torre mais alta do meu pranto

que eu canto este meu sangue este

meu povo dessa torre maior em que

apenas sou grande por me cantar de

novo


cantar como quem veste a ganga

da tristeza e põe a nu a espádua 

da saudade chama que nasce 

e cresce e morre acesa em plena

liberdade è a voz do meu povo


uma criança seminua  nas docas

de Lisboa que eu ganho a minha

voz caldo verde sem esperança


laranja de humildade amarga lança

atè que a voz me doa mas nunca se

dói sò quem cantar màgoa


dói - me o Tejo vazio dói - me a miséria

apunhalada na garganta


dói - me o sangue vencido a nódoa negra

apunhalada do meu canto

 

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